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bicicleta, política e ativismo

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Qual é a relação da bicicleta com política e ativismo?
É em conseqüência da questão ambiental ou o que?

Pode haver mil razões para estabelecer uma relação entre a bicicleta, política e ativismo que não seja só a questão ambiental. Só para escolher uma boa razão: respeito à vida, todas as vidas, de todos, de tudo.

A importância que a bicicleta tem em nossa sociedade, principalmente em países ou localidades com altos índices de pobreza, é muito maior do que se possa imaginar a princípio. Não se restringe à melhora do meio ambiente. Bicicleta é um bem de primeira necessidade para populações de baixa renda, auxilia no equilíbrio social e ambiental, abrindo possibilidades para um futuro digno e auto-sustentável para todos. Racionaliza o uso de espaço urbano, e pode facilmente se transformar em fator de redução de trânsito. O uso da bicicleta traz benefícios claros para seu usuário e mesmo para quem não é usuário e não gosta de pedalar. Bicicleta empresta a seu usuário "liberdade". Tudo isto está provado através de diversas pesquisas científicas.

Talvez o ponto fraco do universo da bicicleta seja a postura da maioria dos ciclistas que não conseguem se representar como categoria. Com isto perdem a possibilidade de transformar para melhor não só suas próprias vidas, mas de todos, mesmo dos que não pedalam.

"Ao socialismo se vai de bicicleta"
(Frase citada no início dos movimentos sociais, virada do século XIX, hoje ainda usada com freqüência na Europa para designar os benefícios sociais que a bicicleta traz)

A Escola de Bicicleta tem interesse único no bem-estar de todos, ciclistas, não motorizados e todos os demais. Ela não tem ligação com nenhum partido político e, ao mesmo tempo, gostaria de estar ligada a todos eles, por que a bicicleta e o ciclista é um fato que está aí.
Toda a ajuda ao bem-estar coletivo, bem intencionada e honesta, é bem vinda.
 

manifesto

 
Manifesto para Viabilização de Bicicletas como Modo de Transporte

Todas as ações em prol da bicicleta são importantes, desde que sejam sensatas, realistas, viáveis e que, de maneira alguma, agridam outros. Não crie um Manifesto pelo simples fato de criar ou de reclamar: sua posição ficará muito enfraquecida. Pesquise, estude e procure conhecer o assunto que está sendo reivindicado.

Depois de criado o seu Manifesto, faça correr um abaixo assinado de apoio no qual deve constar o nome, nº de documento e assinatura dos interessados na defesa da causa. Tenha sempre consigo um caderno de anotações, para registrar dados de possíveis interessados em colaborar, e outras informações importantes.

O próximo passo deve ser a entrega do documento para a pessoa correta. Pesquise e descubra quem decide de fato. Nem sempre quem decide é a pessoa que você imagina. Nem sempre entregar ao prefeito ou político influente é o melhor caminho. Você pode entregá-lo a um "chefe" de um setor adequado, e endereçar também uma cópia para alguém de maior poder para apreciar e solucionar a questão.

Sempre acompanhe de perto o impacto que sua ação causará. É tão ou mais importante que a ação em si. Insistir com conveniência é um bom caminho.

É bom lembrar que a entrega do Manifesto não é a única forma de fazer reivindicações. Há inúmeras ações possíveis, algumas mais diretas, outras mais ligadas a bastidores. Mas, qualquer que seja sua opção, nunca perca de vista a palavra "respeito".

Em último caso, descubra quais os direitos legais que lhe cabem e vá ao Ministério Público. Mas aí a situação será de confronto, o que complica muito o desenrolar da situação.
 

construir um manifesto forte

 
A melhor forma de fazer reivindicações locais é através da criação de um Manifesto Estadual ou Regional apropriado. Cada Estado ou Região tem seus problemas e particularidades.

O primeiro passo é procurar descobrir o que de fato é importante para todos. Separe as reivindicações por temas e prioridades.

Procure formar um grupo que represente os diversos interesses dos ciclistas. Se quiser fortalecer este grupo, procure e faça acordos com outros grupos de não motorizados que possam também se beneficiar com esta luta. Divida obrigações.

Procure se informar se há alguém cuidando de bicicletas e outras mobilidades não motorizadas ou alternativas na Prefeitura ou Governo. Descubra até que ponto chegou o trabalho desse pessoal, o que pode ser feito para ajudá-los, o que ou quem atrapalha. Evite sempre conflitos. Sempre abra as portas, até mesmo para tentar descobrir que atuação levará ao caminho correto.
Muitas vezes é mais importante dirigir-se a alguém do segundo ou terceiro escalão, do que procurar diretamente o Prefeito ou o Governador, ou um de seus secretários. Não raro, o primeiro escalão aprecia uma boa idéia que acaba morrendo no nível técnico de um escalão inferior, ou vice-versa. Começando pelos escalões mais baixos, é possível chegar ao "chefe" com um discurso mais apropriado, e isso facilita muito.
 

em seu Estado ou Região

 
Não há dúvidas que os problemas dos ciclistas apresentam algumas diferenças locais; mas, a maioria deles são os mesmos: falta de segurança em algumas rotas ou pontos, facilidades ou dificuldades para pedalar ou estacionar, etc. O poder público dá pouca atenção aos ciclistas, os técnicos de trânsito nem sempre reconhecem o valor dessa prática, há enormes pressões econômicas, considerações sobre a fragilidade desse meio de locomoção (as bicicletas quebram com facilidade) e sobre a má educação de muitos ciclistas...

O interessante é que todos nós nos assemelhamos de alguma forma e cometemos os mesmos erros, seja aqui ou numa rica Europa. Na verdade, somos praticamente iguais. Quando se lê reivindicações de diversas e, às vezes, distantes localidades são surpreendentes suas semelhanças.

O ideal seria que todos os Manifestos apresentassem aproximadamente o mesmo formato e características, até mesmo porque regras de segurança de trânsito variam muito pouco em seu conteúdo básico.

Junte seu grupo e crie o Manifesto para seu Estado ou Região. As instruções estão logo abaixo. É um exercício trabalhoso, mas compensador.

Faça correr os dois Manifestos: o Federal, e de seu Estado ou Região, para o maior número possível de colaboradores e participantes. Tente transformar estes Manifestos em uma bola de neve.
 

como fazer o Manifesto

 
Para ter um melhor resultado, leve em consideração:

  • Evite fazer reivindicações fora da realidade social e econômica de sua região. Quanto mais realista a reivindicação mais forte ela será.

  • Faça as reivindicações em uma ordem clara e de fácil compreensão. Divida por temas e prioridades.

  • Para quase tudo que necessitamos já existe uma Lei que nos apóia. A questão é descobri-la e fazê-la cumprir.

  • Tenha sempre em mente que a grande maioria dos ciclistas brasileiros é gente simples e trabalhadora que precisa da bicicleta como um meio de transporte eficiente, barato e seguro. Se o problema deles for resolvido, o de todos outros também estará resolvido.

  • Não peça simplesmente ciclovias. Reivindique segurança para pedalar, que é de fato o que todos nós queremos. Muito cuidado com a idéia de que ciclovia é a solução para tudo, por que não é. Há outras soluções técnicas mais simples e baratas que devem ser levadas em conta. Ciclovia é só uma opção técnica, a mais cara e complicada de ser implantada.

  • Não escreva bobagens! Não entre em discussões de cunho técnico, a não ser que tenha formação específica para tanto.

  • Não misture o que é de responsabilidade do Governo Federal com o que é do Governo Estadual.

  • Não misture Poder Executivo - Presidente e Governador - com Poder Legislativo - Deputado Estadual ou Federal. Se for endereçado para alguém em específico, coloque nome e cargo corretos.

  • A Lei de Responsabilidade Fiscal limita os gastos do Poder Público ao orçamento aprovado. Não peça o impossível.

    Caso precise de mais ajuda e idéias, veja o anexo "A bicicleta como modo de transporte" em nosso site ou entre em contato conosco através do link contato deste site.
     

  • a entrega do Manifesto

     
    A melhor forma de entregar um manifesto ou documento reivindicatório é com a presença de ciclistas, interessados, simpatizantes da causa, numa ordeira manifestação que seja acompanhada por jornalistas, repórteres ou qualquer mídia. Quanto mais gente presente à entrega, melhor. Mas sem bagunça!

    Dê a incumbência da entrega a alguém que seja representativo, calmo, tenha boa fala e, acima de tudo, saiba do que esta falando. Jornalistas experientes são pessoas esclarecidas que podem dar boas dicas sobre a melhor forma de entrega (e conseqüente divulgação do fato).

    Entregue sempre em mãos do destinatário ou de seu representante enviado. Não entregue a desconhecidos.

    Muito importante:

    Entregue o documento com redação clara e sem erros. Peça para algumas pessoas habilitadas façam a revisão do texto.

    Tenha o cuidado de não entregar um Manifesto municipal, regional ou estadual com o título ou destinatário errado - é comum ocorrerem essas falhas que devem ser evitadas.
     

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