www.escoladebicicleta.com.br
capítulo 23. emergências do ciclista e da bicicleta

   » contato

   » início

   » mapa do site

    1. experimentar sem errar
    2. aprender a pedalar
    3. voltando a pedalar
    4. pedalar no trânsito
    5. pedalar melhor
    6. ir mais longe
    7. corpo
    8. saúde
    9. alimentação
  10. vestuário
  11. idosos e a bicicleta
  12. iniciar no esporte
  13. cicloturismo
  14. a história da bicicleta
  15. política e ativismo
  16. a bicicleta
  17. que bicicleta comprar
  18. segurança mecânica
  19. o cliente e a bicicletaria
  20. estacionamento e roubo
  21. equipamentos
  22. mecânica de bicicletas
  23. emergências do ciclista
  24. nossa equipe
  25. nossos serviços
  26. links
  27. livros e referências
  28. política do site
 

 
Quando comprei minha primeira bicicleta, em 1977, era muito comum voltar para casa a pé. A sua qualidade era para lá de ruim e ela quebrava, ou então o pneu furava com tanta freqüência, o que me obrigava a carregar sempre uma pesada caixa de ferramentas. A verdade é que pedalar era praticamente um inferno e só continuei usando bicicleta porque gostava muito da coisa.

Decidi que deveria conhecer bem mecânica de bicicletas quando numa descida, fazendo zig-zags deliciosos, a roda dianteira fechou e eu deslizei no asfalto uns 10 metros. Era madrugada, não havia ninguém nas ruas, fiquei estendido no asfalto, meio grogue, mas depois de um tempo consegui levantar e voltar para casa com a bicicleta nas costas. O pior não foi o tombo, mas tomar banho e lavar bem, com escovinha, rosto, braço, dorso e perna esquerdos, que estavam muito arranhados, em alguns pontos praticamente sem pele. E para terminar a besteira toda deitei na cama e acordei no dia seguinte com o lençol completamente grudado na pele. Para fechar com chave de ouro a burrice abri a porta do quarto enrolado num lençol branco todo ensangüentado e dei com minha santa mãe. Tive que ir para o chuveiro para encharcar o lençol e poder desgrudá-lo da pele.

A qualidade das bicicletas melhorou significativamente desde então. Hoje, pedalar relaciona-se ao prazer, conforto, segurança e tranqüilidade. Se a montagem e regulagem da bicicleta forem bem realizadas, é muito difícil ocorrer um problema. Até mesmo um pneu furado tornou-se raro, porque os compostos de borracha atuais são muito mais resistentes a cortes e furos. Mesmo assim emergências podem acontecer, com uma freqüência infinitamente menor que nos anos 70 e 80.

Com um canivete de múltiplas chaves, uma chave inglesa pequena (para 15 milímetros), chave de niples (caso já não haja no canivete), 3 espátulas de pneu, um kit remendo para câmara e uma pequena bomba de pneu, é possível resolver praticamente todo pequeno problema de emergência. Mesmo assim levar ferramentas é uma precaução até um pouco exagerada. Teresa usa a mesma bicicleta há 18 anos e neste tempo todo só teve que voltar para casa empurrando duas ou três vezes por causa de pneu furado. A parte mecânica nunca deu problema. O pesado jogo de ferramentas é hoje absolutamente desnecessário. Se acontecer algo simplesmente tire as rodas, coloque a bicicleta num taxi e volte para casa.

Emergência com o ciclista

Procedimentos de emergência para seres vivos são muito específicos e devem, sempre que possível, ser realizados por um especialista em emergências. Os 5 primeiros minutos após o acidente são muito importantes para o acidentado. Chame o resgate o mais rápido possível.
Ter calma é fator crucial para o acidentado. O melhor que um leigo pode fazer é não tocar no acidentado, ter na ponta da língua os números 190, 192, 193 (em São Paulo), discar, fornecer os dados corretos de localização do acidentado e logo haverá uma equipe especializada para resolver a situação.
Tenha sempre os números de resgate de emergência de sua região.
 

pequena história

 
Pouco depois da largada da prova feminina de ciclismo no primeiro Cactus Cup Brasil, creio que em 1993, a sapatilha de uma das ciclistas de ponta soltou do pedal e ela chapou a cara no asfalto, e lá ficou em convulsão. De imediato saiu do meio do público um médico, um dos diretores da Federação Paulista de Ciclismo e um mountain biker que por ironia do destino recém havia feito um curso sobre procedimentos de emergência no Hospital da USP.
O médico disse logo quem era e junto com o diretor de ciclismo queriam a todo custo mover a ciclista e levá-la imediatamente e de qualquer jeito para o hospital. O mountain biker colocou-se a frente da ciclista para evitar que tocassem nela. Houve uma discussão rápida e pesada, com o médico aos berros dizendo quem era e que sabia o que fazia. Os três não foram às vias de fato porque logo chegou a ambulância resgate.
A equipe de emergência, na frente do diretor do evento, agradeceu a sorte da ciclista e da própria Federação por ter alguém que soubesse que numa situação daquelas a alternativa é esperar a chegada de especialistas em resgate.
Hoje está muito divulgado que o primeiro atendimento deve ser realizado por um especialista em resgate (atendimento pré-hospitalar) que tem por função avaliar a situação do paciente no local no qual aconteceu o acidente, estabilizá-lo e levá-lo até o pronto atendimento do hospital; onde uma segunda equipe, agora especializada em procedimentos de emergência hospitalar, tomará conta do paciente. Estabilizada situação clínica do paciente, entrará em ação o corpo médico com suas especialidades.
 

noções de primeiros socorros

 
Calma é um remédio sagrado na emergência. Tenha em mente que os primeiros 5 minutos são cruciais para o acidentado, portanto mantenha a calma e não perca tempo: telefone para o resgate.
Fique atento ao som do resgate para orientar a posição correta do acidente. Quando o resgate tomar conta da operação ajude afastando os curiosos e dando espaço para eles trabalharem. Passada a emergência, pegar orientações com os médicos, dar acompanhamento e carinho podem fazer milagres na recuperação. O resto deixe para especialistas.

1. em qualquer acidente evite movimentar o acidentado por uns minutos

2. se o acidentado não voltar ao normal isole a área e dê proteção até a chegada do socorro

3. caso necessário faça sombra no local do acidente

4. dê espaço para o acidentado respirar

5. afaste os curiosos do local

6. se o acidentado se recuperar e quiser seguir, olhe nos olhos e peça para ele dizer o nome, mostrar os dentes e apertar sua mão, para ver se as reações dele são normais. Se notar alguma dificuldade, não prossiga. Chame o resgate ou encaminhe o acidentado ao hospital.

7. antes de permitir que ele volte à bicicleta inspecione o acidentado para ver se há cortes profundos, se as articulações estão bem, solicitando que dobre os braços, abra e feche as mãos e tente dar alguns passos. Questione se há dor no abdome, cabeça ou tórax. Em caso positivo não é recomendado que volte pedalando.

8. em caso de corte da pele limpe a área externa sem jogar água dentro da área afetada. Avalie a extensão do corte. No caso de lesão superficial faça uma boa lavagem com água e sabão e depois procure um médico. Para lesões profundas, que certamente requererão pontos cirúrgicos, é muito importante a lavagem da área com água e sabão, mas a limpeza interna deve ser realizada por um especialista.

9. caso haja sangramento procure estancar a área segurando um pano limpo com um pouco de pressão. Evite usar torniquete.

10. em caso de lesão muscular ou articular o uso de uma bolsa de gelo, separada da pele por um tecido, pode ajudar muito.

11. em caso de fratura menor, como de um dedo, imobilize a área e vá para o hospital. Fraturas importantes só com resgate de emergência.
 
Recomendamos a todo usuário de bicicleta a leitura da cartilha:
Noções de Primeiros Socorros no Trânsito - DENATRAN.
  (Arquivo pdf exige Acrobat Reader)
ou
Site DENATRAN

Curso de primeiros socorros - Cruz Vermelha Brasileira
Visite o site da entidade em seu estado e verifique os cursos oferecidos.
Cruz Vermelha Brasileira Filial do Estado de São Paulo


 

emergência com a bicicleta

 
Use uma bicicleta de qualidade.
Quanto melhor a qualidade da bicicleta, menor a possibilidade de problema. Se a bicicleta passar pelas revisões periódicas a possibilidade de qualquer problema é menor ainda.
Um bom teste antes de sair com a bicicleta evita problemas no percurso.

Furou...
O ideal é sempre levar uma câmara nova. Não saia de casa sem ela. E se furar o pneu:

1. vá até um posto e retire a câmara furada

2. passe os dedos por dentro do pneu para ver se o que furou a câmara ainda está lá

3. coloque a câmara nova com um pouquinho de ar para ela não dobrar dentro do pneu

4. alinhe o bico da câmara no buraco do aro

5. antes de acionar o ar para encher o pneu baixe a pressão do manômetro eletrônico para evitar que o pneu estoure.

6. só depois que o pneu tiver um pouco de pressão e você tiver dado uma checada final na sua montagem e alinhamento, é que você deverá calibrar na pressão recomendada. Veja essa recomendação de calibragem na banda do próprio pneu.

7. revise mais uma vez para ver se o pneu está bem assentado no aro

Dicas

  • Caso necessite espátula, use as blocagens das rodas e selim.

  • No caso de bicicletas de estrada com pneu clincher o ideal é levar mais de uma câmara de reserva e 3 espátulas com pouca espessura e de material resistente.

  • Pneus clincher, que precisam de no mínimo 70 / 80 libras para rodar, demandam bombas apropriadas.

  • Para bico de câmara fino não se esqueça do adaptador de válvula.

  • Uma boa bomba de pneu não necessita ser uma engenhoca muito sofisticada, mas deve ter qualidade.

    Fiquei a pé...
    Caso aconteça algum problema com a bicicleta, basta chamar um taxi ou algum amigo, tirar as rodas e o selim, com cuidado enfiá-la dentro do carro e voltar para casa.

     

  • capítulo 24: nossa equipe »
    Escola de Bicicleta - Proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo desta página sem prévia autorização. Política do Site »